Reforma Tributária para pequenas empresas: o que muda com IBS e CBS.
Entenda o que muda com a Reforma Tributária para pequenas empresas e como IBS e CBS impactam o Simples Nacional a partir de 2027. Saiba quais são as opções de recolhimento, os principais prazos e como preparar o financeiro para evitar surpresas no caixa.

Sthefane Mendonca

A janela de setembro fechou e 2027 começa com CBS cobrada de verdade. Veja o que já está decidido para quem é do Simples Nacional, o que ainda dá para mudar e onde o caixa sente primeiro.

No dia 30 de setembro fechou o prazo para as empresas do Simples Nacional escolherem como vão recolher o IBS e a CBS a partir de janeiro de 2027. Quem não fez nada continua no modelo tradicional, com os dois novos tributos dentro do DAS. Quem optou pelo chamado Simples híbrido vai recolher IBS e CBS por fora, pelas regras do regime regular, segundo a Receita Federal.

Para a maioria das pequenas empresas, a decisão já está tomada, mesmo que por omissão. O que muda agora é o calendário: 2027 é o ano em que a CBS passa a ser cobrada para valer, o PIS e a Cofins deixam de existir e as notas fiscais do Simples começam a trazer os novos tributos destacados. Abaixo, o que já está definido e o que ainda depende de você.

O que são o IBS e a CBS?

São os dois tributos criados pela Emenda Constitucional 132 para substituir cinco impostos sobre o consumo. A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é federal e ocupa o lugar do PIS, da Cofins e, em boa parte, do IPI. O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é compartilhado entre estados e municípios e vai substituir o ICMS e o ISS ao longo da transição.

A lógica dos dois é a mesma: o imposto pago em cada etapa gera crédito para a etapa seguinte. Esse detalhe é o que torna a escolha do Simples relevante para quem vende para outras empresas.

Qual é o cronograma da reforma tributária?

As datas estão na própria Constituição, nos artigos 125 a 129 do ADCT incluídos pela EC 132:

AnoO que acontece
2026Ano de teste: CBS de 0,9% e IBS de 0,1%. Quem cumpre as obrigações acessórias fica dispensado de recolher, e o valor tem caráter informativo.
2027CBS passa a ser cobrada. PIS e Cofins são extintos. IPI zerado, exceto para produtos incentivados na Zona Franca de Manaus. Simples Nacional começa a destacar IBS e CBS.
2027 e 2028IBS cobrado a 0,05% estadual e 0,05% municipal.
2029 a 2032ICMS e ISS caem gradualmente: 90%, 80%, 70% e 60% das alíquotas atuais.
2033ICMS e ISS deixam de existir. Sistema novo em vigor por completo.

Em 2026, segundo o Comitê Gestor do IBS, as empresas do Simples Nacional não tiveram nenhuma alteração. O destaque dos novos tributos nas notas começa para elas em 2027.

Como fica o Simples Nacional com IBS e CBS?

O Simples continua existindo, com tratamento favorecido. A partir de 2027, o IBS e a CBS entram oficialmente na lista de tributos do regime, conforme as Resoluções CGSN nº 190 e 191, divulgadas pela Receita. A empresa tem dois caminhos:

  • Simples tradicional: IBS e CBS continuam dentro do DAS, na guia única de sempre.
  • Simples híbrido: a empresa segue no Simples para os demais tributos, mas apura e recolhe IBS e CBS por fora, como no regime regular.

A diferença aparece no crédito que o seu cliente consegue aproveitar. De acordo com o Serpro, o modelo híbrido permite transferir o crédito integral de IBS e CBS, o que pesa para quem vende para empresas do regime regular. Por outro lado, a apuração por fora exige mais controle e muda o desenho do recolhimento mensal.

Perdi o prazo de setembro. E agora?

A opção não é definitiva. Pelo calendário da Receita Federal:

  • Quem optou pelo híbrido em setembro pode cancelar a escolha até 30 de novembro de 2026.
  • Quem não optou tem uma nova janela de 1º a 31 de março de 2027, com efeito de julho a dezembro de 2027.
  • A partir de 2027, as janelas de opção ou renúncia acontecem em março e setembro de cada ano, e a escolha vale até ser renunciada, sem renovação anual (Serpro).

Ou seja: há tempo para olhar os números com calma antes de março. A própria Receita publicou um manual da opção pelo regime regular e lembra que a análise de vantagem é responsabilidade do contribuinte.

Onde o caixa da pequena empresa sente primeiro

A mudança de lei chega ao financeiro por caminhos bem práticos. Os mais comuns:

  • Preço de venda para empresas. Um cliente do regime regular vai comparar o crédito que recebe na sua nota com o de um concorrente. Se ninguém na sua empresa souber responder quanto de crédito a nota gera, a negociação fica no escuro.
  • Cadastro de produtos e serviços. Classificação fiscal errada vira nota com imposto errado, e isso aparece em devolução, retrabalho e cliente insatisfeito.
  • Sistema emissor de notas. Os campos de IBS e CBS precisam estar parametrizados antes de janeiro. Deixar para a primeira semana do ano costuma travar o faturamento.
  • Previsão de caixa de 2027. Se a empresa escolher o híbrido em março, o recolhimento muda de forma a partir de julho. Esse valor precisa estar no fluxo de caixa antes, e não descoberto no vencimento.

É aqui que o planejamento financeiro faz diferença. Com a Nexys, você pode acompanhar o orçamento previsto versus o realizado e consultar projeções financeiras, ajudando a entender como mudanças nos custos e nos recolhimentos podem afetar o caixa da empresa. Assim, fica mais fácil organizar receitas e despesas, avaliar cenários e se preparar para as decisões relacionadas à reforma tributária com mais clareza e controle.

Checklist para os próximos meses

  1. Confirme com a contabilidade em qual modelo a empresa ficou para o primeiro semestre de 2027.
  2. Liste quanto do faturamento vem de clientes pessoa jurídica do regime regular. Quanto maior essa fatia, mais a escolha pesa.
  3. Revise o cadastro de produtos e serviços e a parametrização do emissor de notas.
  4. Simule o recolhimento nos dois modelos e leve os números para a decisão de março de 2027.
  5. Coloque as datas de novembro (cancelamento) e março (nova opção) no calendário financeiro.

A reforma tem prazo longo, até 2033, mas as decisões que mexem no caixa da pequena empresa estão concentradas nos próximos seis meses. Quem tem os números do próprio faturamento organizados decide melhor e com menos pressa.

No Nexys, financeiro e fiscal ficam no mesmo sistema, então o que sai na nota e o que vai ser recolhido aparecem juntos no planejamento do caixa. Para chegar em 2027 com os números da empresa organizados, conheça a Nexys no nosso site.

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Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e reflete as regras publicadas até setembro de 2026. Cada empresa tem uma situação tributária própria: antes de qualquer decisão sobre o Simples Nacional ou o modelo de recolhimento de IBS e CBS, consulte seu contador.

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